Endoscopia Bariátrica
Quem pode fazer a gastroplastia endoscópica ESG
10 Out 2026 · 8 min de leitura
Dr. Fábio Miranda Ribeiro · CRM-RJ 52-0111398-4
"Eu posso fazer?" é a primeira pergunta de quase todo paciente que chega interessado na gastroplastia endoscópica ESG. A resposta honesta é que ela depende de três coisas: o seu IMC, o que a endoscopia mostra do seu estômago e a sua história clínica. Nenhuma das três cabe em um formulário.
O que dá para explicar antes da consulta é como essa decisão é tomada — e é disso que trata este texto.
O que é a gastroplastia endoscópica ESG
A ESG reduz o volume do estômago por dentro, com suturas feitas por endoscopia — pela boca, sem cortes na barriga e sem remover nenhum órgão. O estômago passa a comportar menos volume, e a saciedade chega antes.
No Instituto, o procedimento é feito com anestesia geral, a forma mais segura para esse tipo de procedimento, no Hospital São Bernardo, na Barra da Tijuca, onde são realizadas as suturas endoscópicas. A alta é no mesmo dia e é comum sentir desconforto leve nos primeiros dias.
A faixa de IMC estudada
O ensaio clínico MERIT avaliou a ESG em pacientes de 21 a 65 anos com IMC entre 30 e 40 — obesidade de classe 1 e 2 — que não tinham conseguido atingir ou manter a perda de peso com um programa não cirúrgico.
Foram 209 pacientes em nove centros. Em 52 semanas, o grupo submetido à ESG perdeu, em média, 13,6% do peso corporal total, contra 0,8% no grupo que fez apenas mudança de estilo de vida. Considerando o excesso de peso, a perda média foi de 49,2% contra 3,2%. Em 104 semanas, 68% dos pacientes do grupo ESG mantinham ao menos um quarto do excesso de peso perdido (Abu Dayyeh et al., 2022).
Sobre segurança, o estudo registrou eventos adversos graves relacionados ao procedimento em 2% dos participantes, sem mortes relacionadas e sem necessidade de terapia intensiva ou de cirurgia.
IMC não é critério isolado
A faixa estudada orienta a indicação, mas não a decide sozinha. Um IMC dentro da faixa com uma alteração encontrada na endoscopia pode contraindicar o procedimento; um quadro clínico específico pode mudar a ordem do tratamento. Por isso a conduta é individual.
Por que a endoscopia vem antes
A endoscopia digestiva alta é o exame que mostra o estado do estômago: inflamação, hérnia, presença de H. pylori, alterações que precisam ser tratadas antes. É ela que diz se dá para suturar e em que condições.
É também o exame que separa os caminhos. Quem nunca operou pode ser candidato à ESG; quem fez sleeve e recuperou peso tem na ressutura endoscópica o caminho correspondente; quem fez bypass, no TORe. São procedimentos diferentes para anatomias diferentes.
O que a ESG não é
A ESG não é um atalho que dispensa o resto do tratamento. A restrição ajuda, mas a manutenção depende de plano alimentar, acompanhamento e treino de força — e o acompanhamento com medida de composição corporal é o que mostra se o que está saindo é gordura ou músculo.
Também não é uma promessa de número: os estudos mostram médias de grupos, e nenhum resultado individual é garantido.
O que acontece na consulta
- •História clínica completa: o que você já tentou, o que funcionou, o que não funcionou e por quê.
- •Calorimetria indireta, para medir o seu gasto energético real — já incluída na consulta presencial.
- •Bioimpedância, para ver a sua composição corporal.
- •Definição dos exames necessários, entre eles a endoscopia digestiva alta.
- •Decisão sobre o caminho: ESG, outro procedimento endoscópico, tratamento clínico, ou uma combinação deles.
A consulta dura 1 hora e pode ser presencial, na Barra, ou online por telemedicina. Se a ESG não for o melhor caminho para você, essa também é uma resposta que você recebe com clareza.
Como isso se aplica no Instituto
No Instituto Dr. Fábio Miranda Ribeiro, os exames de endoscopia e colonoscopia são feitos na própria sede, com sedação — inclusive em pacientes acima de 120 kg, que costumam encontrar dificuldade de marcar em outros lugares. Isso encurta o caminho entre a dúvida e a decisão.
Este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. A indicação de qualquer tratamento é individual e depende de avaliação clínica. Nenhum resultado é garantido.
Referências científicas
Abu Dayyeh BK, et al. Gastroplastia endoscópica em manga para o tratamento da obesidade de classe 1 e 2 (MERIT): ensaio prospectivo, multicêntrico e randomizado. The Lancet. 2022;400(10350):441-451.
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Os artigos científicos citados podem ter acesso restrito junto à editora. Este texto resume e interpreta os achados publicados, sem reproduzir o conteúdo original — o link acima leva à fonte oficial.
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